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Olhos da rua – lugar de foto é fora do HD

GENTE . São Paulo . Brasil . Fotografia Marcelo Reis

Agradecemos a todos os que enviaram suas imagens para o projeto Olhos da rua, uma parceria entre o Labfoto, o Instituto Casa da Photographia, o TAZ e fotógrafos atuantes em Salvador.

A resposta do público ao projeto foi muito positiva. Desde o envio das mais de 600 imagens, por cerca de 65 fotógrafos, ao dia mágico da primeira edição do projeto. Juntos, conseguimos reunir fotógrafos de todos os cantos da Bahia e de outros estados do país.

A riqueza das imagens projetadas no dia 22/02, no Bar do Ulysses, reforçou a força da fotografia em nossa cidade e proporcionou-nos o prazer de assistir a tão diversos olhares sobre um mesmo tema.

E é por isso que queremos agradecer a cada arquivo enviado e a presença de todos. É por conta de cada clique e iniciativa coletiva que este projeto se torna possível. E é por isso que estamos convidando para a segunda edição dos Olhos da rua. Desta vez a temática é “Gente”, com fotos que contem a história de pessoas e seus cotidianos.

Os arquivos podem ser enviados até domingo, dia 27/02. As especificações continuam as mesmas: entre 5 e 10 imagens, em arquivo JPG, qualidade máxima (mínima compressão), tamanho de 1.440 pixels no maior lado, 72dpi, sem marca d’água. Especificar no e-mail o nome completo e o nome artístico para podermos creditar a foto. As imagens devem ser enviadas para o e-mail: labfoto@ufba.br, com cópia para contato.olhosdarua@gmail.com.

Olhos da rua 2 – Gente

Local:
Bar do Ulysses, Santo Antônio Além do Carmo
Data:
Terça-feira, 01/03/2011, 19h
Realização:
Labfoto / Instituto Casa da Photographia / TAZ
Informações:
Aline Trettin (labfoto@ufba.br / 71 9103-9691)

O Instituto Casa da Photographia através da Secretaria de Cultura e Caixa torna público o resultado do concurso: “De novo no Centro: A História do Brasil Vive Aqui”.

Foram selecionadas 24 fotografias, segue nomes abaixo dos autores, a lista não segue ordem de classificação. O júri foi composto pela fotógrafa Shirley Stolze, a antropóloga Marinilda Lima e o fotógrafo Marcelo Reis.

1º Lugar - Contra luz Terreiro de Jesus Giuseppe Fiorentino

 

2º Lugar - Subindo a Ladeira - Antonio Jose Brandao de Lima - Ton Lima

3º Lugar - Tempo Velho - Marina Cecília Espírito Santo Alfaya

Fragmento da Espera - Ernesto Victoriano Molinero

Ladeira da Saúde - Edilson Barreto dos Santos

Três em Uma - Fernando Correia Gomes

Do Outro Lado do Lacerda - Thiago da Silva Pereira

Marujada - Felipe Musse de Oliveira

Cores da Cidade ou Após o Carnaval - Ana Caroline da Rocha Freitas

Estou Aqui! Zumbi - Leandro Rocha de Sousa

Baía Dourada - Vitor Mota Pereira da Silva

Joyce Barbosa de Freitas. Ordem Terceira de São Francisco, Centro Histórico, Salvador, Ba, 2010

Reverência ao Imortal - Renata Silva de Carvalho Albuquerque

Poste Antigo, Cubana - Cristiane Matusita

Lacerda em Movimento - Evaldo Pereira Melo

O palco do poeta - Flavia Maria Figueiredo Conceição

Igreja do Carmo - Kau Santana - José Carlos Pereira de Santana

Escadaria do paço - Peterson Trindade Sitonio

Museu MAM - Adilson Soares Trindade

Faraó - Lucas Reis de Souza

Deus proteja a Bahia - Luciano Bastos da Anunciação

De geração em Geração - Rui Garcia de Lima

Os envelopes dos candidatos não selecionados poderão ser resgatados no Instituto Casa da Photographia [endereço abaixo] até o dia  11 de março de 2011. Os envelopes não retirados até este prazo, terão seu conteúdo destruídos.

Parabéns a todos os participantes do concurso: “De novo no Centro: A História do Brasil Vive Aqui”.

Nosso Endereço:

Rua Alexandre de Gusmão, 50 – Rio Vermelho – Salvador, Bahia.

Tel.: 71 3018-3906 / 7811-0584  contatos@casadaphotographia.art.br

Horário de funcionamento: Segunda à Sexta 09h às 12h e das 13h às 17h e sábado: 09h às 14h

Concurso de fotografias “De Novo o Centro: a história do Brasil vive aqui”

O Pelourinho, Centro Histórico, faz parte do Centro Antigo de Salvador

O Instituto Casa da Photographia torna público processo seletivo para escolha de fotografias sobre o Centro Antigo de Salvador nos termos deste regulamento, dando cumprimento a execução do Prêmio Melhores Práticas em Gestão Local concedido pela Caixa Econômica Federal ao Plano de Reabilitação Participativo do Centro Antigo de Salvador, desenvolvido através do Escritório de Referência do Centro Antigo da Secretaria de Cultura do Governo do Estado da Bahia.

 

 

1. OBJETO

1.1 Constitui objeto do presente concurso a seleção e a premiação de 24 (vinte e quatro) fotografias relacionadas e que abordem o Centro Antigo de Salvador – CAS.

1.2. As fotografias submetidas devem retratar os “tesouros” do Centro Antigo de Salvador – CAS, ou seja, cenas, objetos, pessoas e elementos que demonstrem originalidade, beleza e o caráter único da região, além da relação de identidade que o participante estabelece com a área, considerando seu valor histórico, artístico e cultural, material e imaterial.

1.3 Entende-se como Centro Antigo de Salvador a área da cidade que engloba o Centro Histórico (Pelourinho, Sé, Carmo, Taboão, Passo, Santo Antônio, etc.), e os seguintes bairros: Centro, Barris, Tororó, Nazaré, Saúde, Barbalho, Macaúbas, Lapinha, Comércio, conforme o estabelecido no mapa de localização do Centro Antigo (Anexo I).

1.4 Serão aceitas fotografias de monumentos, personagens, manifestações culturais, festas religiosas, elementos arquitetônicos, expressões da cotidianidade, danças, ritos, dentre outros.

2. PARTICIPANTE

2.1 Poderão inscrever-se pessoas físicas, fotógrafos amadores, maiores de 13 (treze) anos, brasileiros natos ou naturalizados, residentes no Estado da Bahia há pelo menos 1 (um) ano.

2.2 É vedada a inscrição e a participação, direta e indireta, de integrantes da Comissão de Seleção deste Edital e/ou funcionários da CAIXA e/ou seus parentes até 2º grau.

3. INSCRIÇÃO E ENVIO DAS FOTOGRAFIAS

3.1 As inscrições para este Concurso poderão ser realizadas de 25 de outubro a 25 de novembro de 2010, através da entrega de envelope lacrado ou postado via Correios nos endereços a seguir:

a. na sede do Escritório de Referência do Centro Antigo, Rua Gregório de Mattos, n° 41, Pelourinho, Salvador – BA, CEP: 40.025.060, das 9h às 12h e das 14h às 17h, de segunda a sexta-feira;

b. na sede do Instituto Casa da Photographia, Rua Alexandre de Gusmão, 50 Rio Vermelho – Salvador, das 9h às 12h e das 14h às 17h, de segunda a sexta-feira [somente presencial].

3.2 No caso de inscrições via Correios, o Aviso de Recebimento (A.R.) será considerado como comprovante.

3.3 No envelope deverão constar: o nome completo do (a) participante e a quantidade de fotografias.

3.4 Cada participante poderá inscrever até 03 (três) fotografias, originais e inéditas, relacionadas ao tema do concurso;

3.5 Será selecionada somente 01(uma) fotografia de cada participante;

3.6 Dentro do envelope lacrado deverão constar:

a. No máximo 03 fotografias impressas em papel fotográfico fosco ou brilhante, com dimensão de 20 x 30 cm ou 20 x 25 cm.  A (s) fotografia (s) deve (m) ser identificada (s) no verso, com o nome completo do participante, o título da obra, o local em que foi capturada a imagem e a data.

b. CD com arquivos em formato JPEG ou TIFF com, no mínimo, 300 dpi e 6 mega pixels, para possíveis ampliações no caso da imagem ser selecionada. O CD deve ser identificado com o nome completo do participante.

c. Cópia de RG, CPF e cópia de comprovante de residência do participante;

 3.7 Anexos obrigatórios:

a. A (s) fotografia (s) impressa (s) e digitalizada (s) conforme item 3.6.

b. Ficha de Inscrição assinada (Anexo II) e com todos os campos preenchidos;

c. Termo de cessão de direitos de uso e reprodução de fotografias (Anexo III) preenchido, impresso e assinado;

3.7.1 A Ficha de Inscrição e o Termo de Cessão de Direitos de uso e reprodução de fotografias estão disponíveis, a partir da data de publicação deste regulamento, nas sedes do Escritório de Referência do Centro Antigo e do Instituto Casa da Photographia, e nos site: www.centroantigo.ba.gov.br.

3.8 Não será cobrada taxa de inscrição.

3.9 O participante é responsável:

a.Pelas despesas de envio e retirada dos envelopes;

b.Por guardar cópia (Manter cópias) da fotografia, documentos e todos os materiais enviados como anexos.

3.10 As inscrições implicam na plena aceitação do regulamento, não cabendo ao participante recurso posterior.

3.11 Não serão aceitas inscrições efetuadas por fax ou correio eletrônico (e-mail).

 4. DESCLASSIFICAÇÃO

 4.1 Serão desclassificadas as fotografias que:

a.Já tenham sido publicadas ou que já tenham sido, em quaisquer instâncias, premiadas em outras seleções até a data de inscrição neste concurso.

b.Não obedecerem ao disposto nos itens 3.3, 3.4, 3.6, 3.7.

c.Não estiverem de acordo com as especificações constantes neste Regulamento;

d. Apresentarem teor político-partidário, ofensivo ou que promovam discriminação por motivo de origem, cor, raça, sexo, idade, opinião política, ideologia, crença ou consciência.

e. Sejam postadas nos Correios após a data de encerramento das inscrições;

f. Mesmo tendo sido enviadas, via Correios, durante o período das inscrições e chegarem ao Escritório de Referência e/ou Instituto Casa da Photographia após 5 (cinco) dias corridos do encerramento das mesmas.

4.2 As fotografias que não forem selecionadas poderão ser resgatadas pelos participantes após o encerramento da seleção, até o limite de 90 (noventa dias).

5. SELEÇÃO DAS FOTOGRAFIAS

5.1 A seleção será realizada por uma comissão, designada pelo Instituto Casa da Photographia, composta por 03 (três) profissionais de reconhecida atuação no segmento das artes visuais.

5.2 Os integrantes da Comissão poderão ser substituídos, a qualquer tempo, por outros profissionais igualmente idôneos, a critério exclusivo do Instituto Casa da Photographia.

5.3 Cada fotografia será avaliada, individualmente, pelos membros da Comissão, sendo atribuída nota para cada critério de avaliação.

5.4 As fotografias serão classificadas de acordo com a ordem decrescente das notas de 0 a 10 atribuídas pela Comissão, sendo selecionadas as 24 (vinte e quatro) que obtiverem as maiores pontuações.

5.5 As decisões da Comissão serão soberanas e irrecorríveis.

6. PREMIAÇÃO

6.1 Prêmios para os autores das três fotografias de maior pontuação:

a. Os 1º e 2º lugares receberão como prêmios:

  • Uma bolsa integral no valor de R$ 1.150,00 (hum mil e cento e cinqüenta reais) para participar do curso Referencial, promovido pelo Instituto Casa da Photographia, em Salvador. O curso de introdução ao mundo da fotografia é composto por três módulos: fundamental, digital e composição e tem duração de três meses e 18 dias com carga horária 37 horas.

b. O 3º lugar receberá como prêmios:

  • Uma bolsa integral no valor de R$ 380, 00 (trezentos e oitenta reais) para participar do curso Câmeras compactas. usos e atribuições, promovido pelo Instituto Casa da Photographia, em Salvador, curso com aulas teóricas e saídas fotográficas com carga horária de 10 horas.

c. O recebimento das bolsas do Instituto Casa da Photographia fica condicionado ao comparecimento dos ganhadores no período de inscrição para a 1º turma de 2011, não sendo aceitas inscrições após o período oficial.

6.2 As 24 fotos selecionadas receberão como prêmios:

a. Integração da foto ao calendário de mesa 2011 do Centro Antigo de Salvador;

b. Exposição da foto selecionada no Centro Cultural da Caixa em Brasília;

c. Exposição da foto selecionada no Palácio Rio Branco em Salvador.

7. EXPOSIÇÕES

7.1 A confecção do calendário e a realização de uma das exposições (da exposição em Salvador) ficarão a cargo do Instituto Casa da Photographia, com supervisão da Secretaria de Cultura. A realização da segunda exposição ficará a cargo da CAIXA.

7.2 Os trabalhos selecionados não poderão, sob nenhuma hipótese, ser alterados ou retirados pelos participantes.

7.3 As obras não poderão ser colocadas à venda durante o período em que estiverem expostas.

8. RESULTADO

8.1 O resultado do concurso será divulgado pelo Instituto Casa da Photographia e pela Secretaria de Cultura do Estado, através do Escritório de Referência do Centro Antigo, no dia 06 de dezembro de 2010, com publicação dos nomes dos 24 (vinte e quatro) classificados, nos sites: www.casadaphotographia.art.br; www.centroantigo.ba.gov.br.

9. DISPOSIÇÕES GERAIS

9.1 O Instituto Casa da Photographia e a Secretaria de Cultura do Estado da Bahia não se responsabilizam por reclamações envolvendo pessoas retratadas pelos participantes. A exposição de pessoas nas fotografias é total e exclusiva responsabilidade do participante, cabendo-lhe responder por eventuais questionamentos e ônus decorrente de sua obra.

9.2 Os ganhadores autorizam o uso de suas imagens, a título gratuito, para que o Instituto Casa Da Photographia e a Secretaria de Cultura do Estado, possam utilizá-las na divulgação em materiais institucionais ou publicitários, em mídia impressa ou eletrônica.

9.3 Os ganhadores dispõem-se a posar para fotos, em horário comercial, que poderão vir a ser utilizadas para ilustrar os referidos materiais institucionais ou publicitários do Instituto Casa Da Photographia, da Secretaria de Cultura do Estado/Escritório de Referência do Centro Antigo.

10. DISPOSIÇÕES FINAIS  

10.1 Integram o presente regulamento os anexos: I – Mapa de Localização do Centro Antigo; II – Ficha de Inscrição; III – Termo de Cessão de Direitos de uso e reprodução de fotografias, disponíveis nas sedes do Escritório de Referência e do Instituto Casa da Photographia, e nos sites www.centroantigo.ba.gov.br, http://www.casadaphotographia.art.br.

10.2 Casos omissos neste regulamento serão decididos pelo Instituto Casa da Photographia, observada a legislação pertinente.

10.3 Informações e esclarecimentos adicionais poderão ser obtidos através do e-mail: concursodenovocentro@gmail.com, fazendo constar, no campo Assunto, a citação: CONCURSO DE FOTOGRAFIA e/ou através dos telefones (71) 3116-0500, 3116-6539, 3018-3906, 3491-3906.

Salvador, Bahia 25 de outubro de 2010

 

MARCELO REIS

 Diretor do Instituto Casa da Photographia

Repúdio aos abusos dos concursos . via REDE

Controvérsia. Fotógrafos do Estado lutam por mudança em regulamentos de concursos fotográficos que ferem direitos autorais
Repúdio aos abusos dos concursos . Julia Guimarães

Uma questão relacionada a direitos autorais tem tomado conta das ações de entidades ligadas à fotografia no Estado, como o Fórum Mineiro de Fotografia Autoral (Fomfa), Fototech e Fotoclube BH. Só neste semestre, os associados se manifestaram contra o regulamento de sete concursos fotográficos de entidades públicas e privadas do país e conseguiram ter o regulamento revertido em prol dos seus direitos em seis deles (veja quadro ao lado).

A principal reivindicação diz respeito ao item dos regulamentos que prevê a liberação da imagem para usos genéricos, que extrapolam os contornos específicos do concurso. Segundo Elmo Alves, presidente do Fotoclube BH, através dessa premissa, as entidades realizadoras dos concursos podem criar banco de imagens com fotos que não foram devidamente remuneradas aos fotógrafos.

“Até pouco tempo, muitos fotógrafos assumiam a seguinte ideia: ‘o regulamento é esse, participa quem quer’. Mas essa postura é um tiro no pé, porque a partir do momento em que a empresa cria um banco de imagem, ela não precisa contratar mais nenhum fotógrafo para futuros trabalhos. Ou seja, todos os profissionais saem prejudicados”, argumenta.

“Muitas das empresas procuradas disseram que simplesmente copiavam regulamentos de concursos anteriores e nunca haviam refletido sobre o assunto. O que prova a importância da mobilização”, completa.

Para discutir em âmbito nacional essa e outras questões ligadas a direitos autorais dos fotógrafos, foi criada recentemente a Rede de Produtores Culturais de Fotografia no Brasil, cuja atual bandeira é a criação de um selo de qualidade para avaliar concursos fotográficos. “Essa seria uma garantia para que os concursos, cada vez mais, estabeleçam regras que não violem os direitos autorais”, diz Elmo Alves.

Pampulha. Dos sete concursos que foram alvo de repúdio pelos fotógrafos neste semestre, apenas o “Olhar Pampulha”, promovido pela Belotur, com apoio da Associação de Repórteres Fotográficos e Cinematográficos de Minas Gerais (Arfaq), não modificou posteriormente seu regulamento, cujas regras preveem que as fotos inscritas passem a pertencer ao acervo da Belotur.

“O que mais chama nossa atenção é o concurso ter a chancela da Arfaq, que ingenuamente entrou nessa junto com a Belotur. Depois de ter sido procurado por nós, o presidente da associação entrou em contato com a Belotur, mas a única mudança feita por eles foi limitar o período de uso das fotos para quatro anos”, explica Alves.

Embora procurados pelo O TEMPO, os responsáveis na Belotur pelo concurso estavam indisponíveis para entrevistas. Já o presidente da Arfaq em Minas, Valdez Maranhão, afirmou que não tinha conhecimento das reivindicações da classe, por isso apoiou o concurso. “Acredito que a manifestação é legítima e que nos próximos concursos as regras serão modificadas. Mas a Belotur já havia publicado o regulamento quando a reivindicação foi feita e não houve como voltar atrás”, explica Valdez.

Publicado em: 14/06/2010

Miguel Rio Branco . Em exposição

Apresentação da mostra . Ligia Canongia

O mundo moderno e as sociedades mecanizadas perderam a energia e a voluptuosidade que havia em estéticas passadas, em especial no barroco, e a potência dos gestos que movia essa expressão foi substituída por atos maquinais ou alienados e movimentos involuntários.
O resgate da linhagem romântica na contemporaneidade pode estar associado à vontade de recuperação de um ideário humanista, que sobreviva aos impasses do tecnicismo exacerbado do mundo atual, reincorporando o terreno das pulsões e das contradições.
Miguel Rio Branco é um artista atento ao esvaziamento de sentido e à perda de vibração das imagens, justo e paradoxalmente em um mundo em que elas proliferam em exaustão. Se a invasão caudalosa da visualidade contemporânea lançou o olhar mundano a um estado de torpor, a função do artista seria, mais do que nunca, a de restabelecer a empatia do homem com a imagem, a de redescobrir o seu punctum, ou seja, a capacidade que ela tem de nos mobilizar e corresponder a seus estímulos.
Paul Virilio declara que a cultura midiática pós-moderna, em que a fotografia tem papel fundamental, submeteu a esfera pública aos meios de massa, substituiu a imagem mental por outra, meramente instrumental e, com isso, deflagrou o que ele chama de “o desastre das representações”[1].
Contudo, o artista, como o poeta, jamais subjugou sua consciência individual ao prodígio das máquinas, à ação publicitária ou à soberania da técnica. O viés que Rio Branco escolheu para enfrentar a apatia dominante, consequência dessa “imagomania”[2] dos dias de hoje, foi precisamente o da reanimação do drama e da luz barrocos, capazes de imprimir à imagem um tônus reparador e uma resistência aos olhares viciados e às relações entorpecidas.
Miguel Rio Branco parece nos fazer ver, pela primeira vez, o que já estava disponível, sem que percebêssemos. Vestígios da natureza e da vida cotidiana, corpos, objetos e cenas banais são tomados por um caráter cerimonial que remonta ao fervor místico e à obscuridade do barroco, como se saíssem de sua circunstância corriqueira para ganhar valor real de existência, ainda que desencarnados na pele fotográfica. Por meio da luz, o artista “acende” esse valor e multiplica o entendimento que tínhamos da cena ou do objeto comum para dimensões novas e impensadas. As imagens surgem iluminadas por dentro, como se emanassem de si uma clarividência própria, banhadas pela visão apaixonada das luzes e das sombras. Sua obra é perpassada por entes espectrais, cuja existência é codificada e construída unicamente no seio da linguagem, que pressupõe uma sensibilidade particular e a consciência da história, incluindo aí a história da pintura. As fotografias de Miguel Rio Branco não são mais que ressonâncias do mundo, cujo referente já perdeu ou transformou sua origem empírica e anedótica em algo sublime.
A realidade não precisa ter existência de fato, ou mesmo ter existido verdadeiramente, para aparecer numa fotografia, e isso nos permite fazer um paralelo com a ficção cinematográfica. Na foto, como no cinema ou na pintura, os seres são ficcionais, ainda que a ilusão de realidade possa nos perscrutar. Com essa constatação, fica demarcada a possibilidade de a fotografia efetuar uma torção poética que a desvincule de seu aspecto documental inerente, permitindo-lhe instaurar essas entidades espectrais e fantasmáticas.
Nas assemblages, dispositivos que se tornaram reincidentes na obra, Rio Branco também ultrapassa o contexto lógico dos elementos fotografados, atravessa a neutralidade do olhar indiferente e conecta mundos aparentemente díspares e surpreendentes. Com a justaposição de várias superfícies, o artista opera uma condensação espacial análoga à condensação temporal do cinema, e abre uma dimensão dinâmica à mídia fotográfica, eminentemente estática. Operando pelo princípio de corte (foto) e montagem (cinema) as assemblages de Miguel Rio Branco ajustam os limites da fixidez fotográfica à noção de movimento. Efeitos de montagem e edição têm sido chamados a interferir sobre o cut constitutivo da fotografia, conferindo-lhe nova temporalidade. As edições especiais realizadas por meio de assemblages e a justaposição de diferentes tempos de uma mesma figura são exemplos de tentativas de burlar o congelamento temporal da fotografia, atribuindo-lhe aspectos cinemáticos, o que nos remonta, inclusive, às fotomontagens das vanguardas do século XX.
Com tais operações, unidas à teatralidade barroca, à força cromática e à luz quase sobrenatural dessa obra, podemos perceber o quanto ela está engajada no debate sobre a visibilidade fotográfica contemporânea, na sua relação com a pintura e com o cinema, na expansão dos limites da técnica e, principalmente, em seu poder de transcendência ao mundo real. Miguel Rio Branco, como poucos na esfera internacional, soube tornar a fotografia não somente uma emergência crítica à cadeia progressiva da massificação, como uma entidade luminescente que revigora o sentido do lirismo na história.

[1] VIRILIO, Paul. Esperar o inesperado. Dardo, Lisboa e Santiago de Compostela, 2006.
[2] Termo cunhado por Hans BELTING. L’histoire de l’art, est-elle finie? Nîmes, Éditions Jacqueline Chambon, 1989.

A Paulo Darzé Galeria de Arte mostra a partir do dia 20 de maio, às 20 horas, com temporada até 15 de junho exposição de Miguel Rio Branco. Rua Dr. Chrysippo de Aguiar – Corredor da Vitória, Salvador, Bahia, Brasil. 40080-310 . Tel.: (71) 3267.0930 / 9918.6205 – paulodarze@terra.com.br